vislumbres sobre visualidade

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O site Radical Cartography é produzido por Bill Rankin, cartógrafo e historiador,  que pesquisa novas formas para compreender o território e a vida urbana. Ele está finalizando seu doutorado em Harvard. Questionando as convenções cartográficas, ele utiliza técnicas de estatísticas e de design de informação. Seu site tem vários outros projetos, vale a visita.

As figuras acima são ainda mais interessantes no site de Rankin que mostra o mapa apenas quando passamos o mouse sobre a imagem. Abaixo o texto de abertura do seu site. Espero, para breve, traduzi-lo.

If we were able to take as the finest allegory of simulation the Borges tale where the cartographers of the Empire draw up a map so detailed that it ends up exactly covering the territory (but where the decline of the Empire sees this map become frayed and finally ruined, a few shreds still discernible in the deserts — the metaphysical beauty of this ruined abstraction, bearing witness to an Imperial pride and rotting like a carcass, returning to the substance of the soil, rather as an aging double ends up being confused with the real thing) — then this fable has come full circle for us, and now has nothing but the discrete charm of second-order simulacra.

Abstraction today is no longer that of the map, the double, the mirror or the concept. Simulation is no longer that of a territory, a referential being or substance. It is the generation of models of a real without origin or reality: a hyperreal. The territory no longer precedes the map, nor survives it. Henceforth, it is the map that precedes the territory — PRECESSION OF SIMULACRA — it is the map that engenders the territory and if we were to revive the fable today, it would be the territory whose shreds are slowly rotting across the map. It is the real, and not the map, whose vestiges subsist here and there, in the deserts which are no longer those of the Empire but our own: The desert of the real itself.

Jean Baudrillard, “The Precession of Simulacra”

Common Sense é uma exibição que se propõe a examinar o sonho americano. A obra acima, realizada com taças de champagne, mostra a diferença média entre os salários de uma empresa. A diferença entre as médias do assalariado e do presidente da empresa cresceu de forma dramática nos Estados Unidos nos últimos 5o anos, passando de 1:25 para 1:275. Será um sinal da força das corporações americanas? Será que os valores individuais estão sendo valorizados? Será que estes “grandes talentos” apresentam uma produção compatível com seus gigantescos salários?

Na Alemanha esta diferença é de 1:14 e no Japão um presidente de empresa ganha até 11 vezes mais do que a média de empregado de manufatura. Gostaria de conhecer esta média no Brasil. Alguém me sugere como descobrir os grandes salários?

Este é o terceiro e último post que analisa os infográficos criados sobre a pesquisa do IPEA sobre a diminuição da miséria no Brasil. Imediatamente abaixo, vemos o infográfico publicado no Jornal O Globo em 14/07, dia seguinte à divulgação do trabalho do IPEA.

No post anterior apontamos algumas especificidades da televisão, neste caso observamos uma importante  característica da mídia impressa: a possibilidade de veiculação de um grande conjunto de informações, deixando a ordem de leitura a critério do leitor. O resultado final é um retrato bastante completo do assunto. Temos a definição de pobreza e miséria e a quantidade de pobres e miseráveis em cada ano (1995, 2008 e estimado para 2016) representados com bonecos (estilo isotype) de cores diferenciadas – preto para pobres e cinza para miseráveis. O número de pessoas que saiu da condição de pobreza e de miséria é destacado dentro de um círculo. Temos também o detalhamento dos dados por região e no Estado do Rio, de especial interesse para os leitores de O Globo. A única coisa que eu teria a sugerir, seria o emprego da mesma simbologia de cores na barra de títulos do comportamento por região (preto/pobreza; cinza/miséria). No mais, ótimo infográfico.

O último dos infográficos sobre o tema foi retirado do IG. Ele tem dois diferenciais em relação aos demais. Primeiro, tem alguma interatividade na exibição dos números que só aparecem quando passamos o mouse sobre a figura. Em segundo lugar, ele apresenta um comparativo com os dados do PIB. Os dados de miséria e pobreza são percentuais da diminuição e o do PIB, percentual da evolução. Os dados absolutos não são apresentados, mas funciona perfeitamente na sua proposta de apresentar a dissociação entre o aumento do PIB e a redução da pobreza.

No post anterior, apresentei alguns infográficos sobre os dados da pobreza no Brasil divulgados pelo IPEA. Vamos prosseguir com este tema. Logo abaixo, vemos o infográfico publicado na Revista Época online no dia 13, data em que o trabalho do IPEA foi publicado. Ele é superior ao do Estadão principalmente por dois motivos. Em primeiro lugar, há um esquema de cor que agrupa a pobreza absoluta, separando-a da pobreza extrema de um modo que fica mais fácil vislumbrar o comparativo dos anos analisados. Em segundo lugar, há um balão que detalha o percentual da maior e da menor queda da taxa de pobreza extrema. Uma informação adicional que amplia a compreensão do gráfico.

Pensando no infográfico da Época (acima) e nos demais que foram postados ontem, me perguntei o porque da “coincidência” de um mesmo tipo de convenção na representação dos dados. Encontrei a resposta no material distribuído pelo IPEA: a mesma forma de organização em barras. Reproduzo abaixo a tela do pp distribuido pelo IPEA e que serviu de base para a maioria dos infográficos produzidos.

Finalmente, assisti ao Jornal Nacional para ver como o principal programa jornalístico da TV aberta apresentaria os dados da diminuição da pobreza no Brasil. É importante ressaltar que estamos tratando de uma outra midia, capaz de apresentar a informação de forma sequencial, ou seja, ao “leitor” não lhe é oferecido a escolha do que irá ler e em que ordem. Assim, na parte da matéria do JN em que houve interferência da arte, assistimos a um detalhamento do que é pobreza extrema (1/4 do salário mínimo por pessoa) para, em seguida, vermos a apresentação de um gráfico da diminuição desta faixa de miseráveis. O gráfico é bem produzido (em 3D), mas está sobre um fundo excessivamente escuro e poderia se organizar de outra maneira de forma a evidenciar as diferenças. A seguir, o JN informa o que esta diferença significa em número de pessoas, uma informação muito útil e importante mas que poderia ter sido apresentada na continuidade do próprio gráfico de barras e não em uma outra tela.  Em seguida, o que é muito o perfil da mídia TV, exemplifica-se comparativamente duas região (e não todas, como na internet) e dois estados. Para cada conjunto de dados, o mapa do Brasil se move (TV é movimento!). Algo dispensável.

O Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas (IPEA) divulgou dados que apontam para a diminuição da pobreza nas diversas regiões do país. O trabalho analisou dados de 1998 e 2008, projetando a eliminação da miséria e apenas 4% de pobreza até 2016.  Ótimos dados para a sociedade e um bom assunto para ser explicado com infografia.

Encontrei dois infográficos sobre o tema na internet e os estou postando em sequência: primeiro o do Estadão e, em seguida, o do G1. Sou fã dos infográficos do Estadão, mas desta vez demorei um tempinho para entender o que estava sendo apresentado. Ou seja, o infográfico não ficou claro. Embora os dois gráficos sejam bastante simples e até parecidos, o fato do Estadão apresentar dados da pobreza extrema e da pobreza absoluta para cada um dos anos (1998 e 2008) criou uma espécie de ruído na leitura.  O G1 foi mais modesto na sua proposta, apresentando apenas as taxas de pobreza absoluta. Acho que existem formas de favorecer a informação sem que seja necessário reduzir o volume de dados. Neste caso, por exemplo, sugeriria ao pessoal do Estadão, de imediato, “abrir” um espaço entre os dois tipos de dados comparados. Mas, acho que outras soluções mais criativas poderão surgir com um pouco mais de tempo.

De acordo com o Business Week Online, Hans Rosling acredita que ao deixar as informações mais acessíveis, desenvolvemos o  pontencial para mudar a qualidade da própria informação. É neste contexto que vale assistir a brilhante palestra de Rosling, onde ele apresenta dados sobre a população mundial – crescimento e pobreza – de forma absolutamente dinâmica, utilizando objetos físicos e o software do Gapminder, criado por ele próprio e vendido ao Google.