vislumbres sobre visualidade

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O infográfico acima aponta – ao mesmo tempo – para o poder da visualização de dados e para o aumento da fome nos Estados Unidos. Anne Mei Bertelsen do Mai Strategies e CauseShift trabalharam com JESS3, uma agência especializada em web design, branding e visualização de dados, para mostrar onde a dificuldade de obtenção de alimentos (“food insecurity”) convive com a obesidade.

O tema é excelente e a idéia do infográfico também é boa. Mas o resultado final não é muito claro, principalmente pelo emprego das bolinhas em cores mais fortes que fazem a comparação com a média nacional. Acho que a utilização de bolinhas-ícones para as taxas de pobreza, obesidade e assistência nutricional já seriam suficiente indicador de informação.

Este é o terceiro e último post que analisa os infográficos criados sobre a pesquisa do IPEA sobre a diminuição da miséria no Brasil. Imediatamente abaixo, vemos o infográfico publicado no Jornal O Globo em 14/07, dia seguinte à divulgação do trabalho do IPEA.

No post anterior apontamos algumas especificidades da televisão, neste caso observamos uma importante  característica da mídia impressa: a possibilidade de veiculação de um grande conjunto de informações, deixando a ordem de leitura a critério do leitor. O resultado final é um retrato bastante completo do assunto. Temos a definição de pobreza e miséria e a quantidade de pobres e miseráveis em cada ano (1995, 2008 e estimado para 2016) representados com bonecos (estilo isotype) de cores diferenciadas – preto para pobres e cinza para miseráveis. O número de pessoas que saiu da condição de pobreza e de miséria é destacado dentro de um círculo. Temos também o detalhamento dos dados por região e no Estado do Rio, de especial interesse para os leitores de O Globo. A única coisa que eu teria a sugerir, seria o emprego da mesma simbologia de cores na barra de títulos do comportamento por região (preto/pobreza; cinza/miséria). No mais, ótimo infográfico.

O último dos infográficos sobre o tema foi retirado do IG. Ele tem dois diferenciais em relação aos demais. Primeiro, tem alguma interatividade na exibição dos números que só aparecem quando passamos o mouse sobre a figura. Em segundo lugar, ele apresenta um comparativo com os dados do PIB. Os dados de miséria e pobreza são percentuais da diminuição e o do PIB, percentual da evolução. Os dados absolutos não são apresentados, mas funciona perfeitamente na sua proposta de apresentar a dissociação entre o aumento do PIB e a redução da pobreza.

No post anterior, apresentei alguns infográficos sobre os dados da pobreza no Brasil divulgados pelo IPEA. Vamos prosseguir com este tema. Logo abaixo, vemos o infográfico publicado na Revista Época online no dia 13, data em que o trabalho do IPEA foi publicado. Ele é superior ao do Estadão principalmente por dois motivos. Em primeiro lugar, há um esquema de cor que agrupa a pobreza absoluta, separando-a da pobreza extrema de um modo que fica mais fácil vislumbrar o comparativo dos anos analisados. Em segundo lugar, há um balão que detalha o percentual da maior e da menor queda da taxa de pobreza extrema. Uma informação adicional que amplia a compreensão do gráfico.

Pensando no infográfico da Época (acima) e nos demais que foram postados ontem, me perguntei o porque da “coincidência” de um mesmo tipo de convenção na representação dos dados. Encontrei a resposta no material distribuído pelo IPEA: a mesma forma de organização em barras. Reproduzo abaixo a tela do pp distribuido pelo IPEA e que serviu de base para a maioria dos infográficos produzidos.

Finalmente, assisti ao Jornal Nacional para ver como o principal programa jornalístico da TV aberta apresentaria os dados da diminuição da pobreza no Brasil. É importante ressaltar que estamos tratando de uma outra midia, capaz de apresentar a informação de forma sequencial, ou seja, ao “leitor” não lhe é oferecido a escolha do que irá ler e em que ordem. Assim, na parte da matéria do JN em que houve interferência da arte, assistimos a um detalhamento do que é pobreza extrema (1/4 do salário mínimo por pessoa) para, em seguida, vermos a apresentação de um gráfico da diminuição desta faixa de miseráveis. O gráfico é bem produzido (em 3D), mas está sobre um fundo excessivamente escuro e poderia se organizar de outra maneira de forma a evidenciar as diferenças. A seguir, o JN informa o que esta diferença significa em número de pessoas, uma informação muito útil e importante mas que poderia ter sido apresentada na continuidade do próprio gráfico de barras e não em uma outra tela.  Em seguida, o que é muito o perfil da mídia TV, exemplifica-se comparativamente duas região (e não todas, como na internet) e dois estados. Para cada conjunto de dados, o mapa do Brasil se move (TV é movimento!). Algo dispensável.

O Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas (IPEA) divulgou dados que apontam para a diminuição da pobreza nas diversas regiões do país. O trabalho analisou dados de 1998 e 2008, projetando a eliminação da miséria e apenas 4% de pobreza até 2016.  Ótimos dados para a sociedade e um bom assunto para ser explicado com infografia.

Encontrei dois infográficos sobre o tema na internet e os estou postando em sequência: primeiro o do Estadão e, em seguida, o do G1. Sou fã dos infográficos do Estadão, mas desta vez demorei um tempinho para entender o que estava sendo apresentado. Ou seja, o infográfico não ficou claro. Embora os dois gráficos sejam bastante simples e até parecidos, o fato do Estadão apresentar dados da pobreza extrema e da pobreza absoluta para cada um dos anos (1998 e 2008) criou uma espécie de ruído na leitura.  O G1 foi mais modesto na sua proposta, apresentando apenas as taxas de pobreza absoluta. Acho que existem formas de favorecer a informação sem que seja necessário reduzir o volume de dados. Neste caso, por exemplo, sugeriria ao pessoal do Estadão, de imediato, “abrir” um espaço entre os dois tipos de dados comparados. Mas, acho que outras soluções mais criativas poderão surgir com um pouco mais de tempo.

De acordo com o Business Week Online, Hans Rosling acredita que ao deixar as informações mais acessíveis, desenvolvemos o  pontencial para mudar a qualidade da própria informação. É neste contexto que vale assistir a brilhante palestra de Rosling, onde ele apresenta dados sobre a população mundial – crescimento e pobreza – de forma absolutamente dinâmica, utilizando objetos físicos e o software do Gapminder, criado por ele próprio e vendido ao Google.