vislumbres sobre visualidade

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O Density Design, laboratório da Politecnico di Milano (Itália), teve a ótima idéia de criar videos para explicar o desenvolvimento de suas visualizações de dados. O objetivo do grupo era demonstrar o potencial de se criar análises complexas sobre fenômenos sociais através de dados coletados na internet, assim como apresentar as diversas metodologias de pesquisa e as ferramentas utilizadas em cada processo.

O video abaixo é apenas um dos exemplos que encontra-se no site.

Diferentemente das visualizações de dados que estamos acostumados a ver, que transformam nossas ações na internet em imagens digitais, a Data Currency cria objetos físicos a partir desses dados. Para os criadores do projeto, o estudio coreano Randomwalks, nossas ações cotidianas na rede, como por exemplo tuitar, atualizar o facebook e fazer buscas no google podem ser consideradas um trabalho. Para demonstrar o valor da força de trabalho que empregamos na internet, uma máquina converte-a no trabalho físico de tricotar.

Cada busca feita pelo usuário no google faz com que um sistema computacional de tricô comece a funcionar, produzindo uma peça gerada por seus dados de pesquisa.

Essa instalação demonstra que, cada vez mais, os dados que produzimos poderão ser usados como ponto de partida para a criação de objetos que materializem nossa atividade virtual.

Fleshmap

Posted on: 01/10/2011

Em tempos de Rock in Rio, um assunto que tem sido bastante discutido é a diferença entre gêneros musicais. A visualização abaixo mostra que essa diferença talvez não seja tão grande, pelo menos no quesito partes do corpo citadas nas musicas! Ok, isso não significa que metal e country possam soar parecido, mas é interessante saber que tanto roqueiros quanto “sertanejos americanos” têm os olhos e mãos como partes do corpo preferidas ao cantar suas canções.

Com base em uma compilação de mais de 10.000 músicas, analisa-se o uso de palavras que representam partes do corpo na cultura popular. Cada gênero musical exibe seu conjunto de características próprias de palavras, com os termos mais utilizados aparecendo como imagens maiores.

O objetivo principal desse projeto é analizar as relações entre a linguagem e o corpo, que surge como uma representação visual da expressão cultural de nossa fisicalidade.

http://www.fleshmap.com/listen/index.html

DoodleBuzz

Posted on: 17/09/2011

O Doodlebuzz é simplesmete uma ferramenta revolucionária de visualização da informação disposta na internet. Primeiramente você escolhe o assunto que procura e ele reunirá todas as manchetes relacionadas à ele na web. Até aí nada de muito novo, o barato desse aplicativo está na possibilidade do usuário de construir a sua própria organização das informações. Isso significa que o usuário passa a ter maior liberdade na sua navegação, sem estar restrito à interface imposta nos sites de busca. Diante da quantidade absurda de informação disponível na internet, encontrar novas formas de organizá-las e buscá-las, parece ser o grande desafio!

Funciona da seguinte forma: você digita a palavra que deseja buscar, desenha uma linha da forma que quiser e então as notícias aparecem seguindo a linha desenhada. A partir daí você pode ver cada notícia, puxar uma nova linha e buscar outros assuntos relacionados.

Abaixo temos dois exemplos que demostram como podemos criar formas bem diferentes de visualização das informações:

http://www.doodlebuzz.com/

O coração é o orgão do corpo que simboliza os sentimentos e as emoções, mas não apenas de uma forma poética; fisicamente, pode-se perceber essas variações psicológicas através dos rítmos cardíacos.

Siane kim, criou um mecanismo para gerar desenhos abstratos baseados nos batimentos do coração. Um sensor de batimentos cardíacos envia os dados para uma placa Ezio que manda as informações de forma digital para o Processing, que por sua vez, executa pinturas de acordo com essas informações.

Se o rítmo estiver acelerado, a pressão sanguínea sobe e o desenho ganha rabiscos mais frenéticos com cores quentes. Se a pressão sanguínea desce, então linhas mais circulares e com cores frias vão sendo criadas.

A obra de Sinae Kim reflete uma das questões mais pulgentes da arte atualmente, extrair do físico e do tecnológico, do material e do digital, imagens e experiências provocadas pela abstração humana.

Dirty Data

Posted on: 13/08/2011

Você já pensou o quanto de energia está gastando ao navegar na web?

A internet revolucionou nossas vidas, e a cada dia necessitamos mais dela para diversos fins no nosso dia-a-dia, mas o que acontece com a quantidade imensa de dados que geramos? Para maioria de nós, o conceito de computação em núvem, passa a impressão de que esses dados estão pairando pelo ar, ou vão para alguma outra dimensão, mas na verdade necessitam de imensos server farms para serem armazenados. Empresas como Google, Facebook e Amazon, utilizam enormes data centers que consomem tanta energia quanto uma indústria e a grande maioria delas ainda faz uso de energias poluentes e não-renováveis.

Há dois séculos atrás, quando deu-se o início  da Revolução Industrial, ainda não se sabia os danos que o uso de certas fontes de energia causariam ao meio ambiente. Hoje, a Revolução Digital acontece dentro de um contexto onde todos têm a consciência desses efeitos e dispomos de novos recursos e tecnologias que diminuem o impacto ambiental, mas ainda assim, empresas da vanguarda digital, continuam à consumir energia como nossos antepassados faziam.

fonte: How dirty is your data? (Greenpeace).

O vídeo de Patrick Clair, é um bonito e interessante infográfico que nos ajuda a visualizar melhor as dimensões desses fatos.

Assim como o projeto Trash Track, apresentado no post anterior, esse infográfico atenta para a questão do destino do lixo, em especial o lixo eletrônico. Como podemos perceber grande parte do e-lixo (como é chamado lixo eletrônico) produzido nos EUA, Europa, Canadá e Japão são enviados para outros países do mundo. É a mesma lógica de varrer a sujeira para baixo do tapete, não é por que você não a vê que ela deixa de existir. O Brasil, como tantos outros países serve de lixão para o “Primeiro Mundo”, o que já se tornou uma prática comum, mas a maioria de nós, cidadãos brasileiros, não está ciente desse fato. Além disso, muitas empresas dizem recolher os produtos usados dos clientes para o seu reutilizo, mas na verdade despejam os produtos eletrônicos, que não possuem mais funcionalidade, em países subdesenvolvidos com a desculpa de estarem doando tecnologia. O que muitos não se dão conta é que a produção de lixo aumenta na mesma proporção que novos produtos eletrônicos são lançados no mercado. O consumo desenfreado leva a uma produção absurda de resíduos, e quando não existir mais campos, rios e praias para despejar os Ipads e celulares da geração passada, para onde iremos enviá-los? Ao espaço?

Pelo visto o problema não é a produção lixo ou o seu destino, mas sim a consequência de um sistema econômico baseado na produção e consumo de bens. Visto que a única solução real para a redução da produção de resíduos seria uma revolução social e econômica, projetos como esses são essenciais para a conscientização da população, e assim tornar possível o início dessas mudanças ao menos no âmbito social. Por meio da visualização de dados e infográficos, problemas antes invisíveis aos nossos olhos tornam-se visíveis e relevantes, demonstrando que o poder de comunicação do design pode ser usado também para provocar mudanças sociais.